sábado, 26 de janeiro de 2019

Velho, chato e careta


Meus problemas, nos últimos dias, resumem-se em limpar a piscina verde. Além de filtrar a água e varrer o fundo também coloco várias doses de "ph" e cloro para fazer com que algas microscópicas desapareçam. Tento em vão, é claro. As algas se proliferam rapidamente fazendo com que este cronista que vos escreve tenha mais um dia de trabalho.

Mas o leitor deve estar indignado com o meu problema. Meu problema é ínfimo. Meu problema é pequeno. Sim, eu sei.

Mas eu só percebi que meu problema era um grão de areia em uma imensa praia quando liguei a televisão e vi o que estava acontecendo em Minas Gerais.

Sim, aconteceu. Sim, mais uma vez. Mas que culpa eu tenho? Qual a nossa culpa? Mais uma barragem, mais uma tragédia, mais um assunto para comentar, mais um tema para brigar.

O leitor deve estar estressado com minha maluquice depois de um dia longo e triste. Mas eu trouxe um devaneio sobre a água da piscina na tentativa de comparar com o barro das minas. Tentativa frustrada.

Meu sentimento é de frustração. Em alguns momentos do ano - da vida- fico assim, meio frustrado, sem esperança. Ninguém mandou ser um velho, chato e careta.

(*)

Ando meio sem paciência para brigas rasas nos meios digitais. Tenho zero paciência para brigas rasas nos meios físicos. Sorria e acene, disse o pinguim.

Sempre que alguma tragédia se torna capa dos jornais a sensação de impotência volta. Não sei se o leitor concorda, mas discutir a privatização ou não da mineradora é meio inútil quando estamos no olho do furacão, não é?

Aceitei que não posso mudar o mundo quando não consegui limpar a piscina. Ou dobrar minhas roupas perfeitamentes. Ou... Mudar o mundo...

É que não suporto doutores da verdade e guardiões dos fatos tentando nos dizer o que deve ser feito. Tudo bem, o Brasil é um país que não aprende com os erros. Mas já aprendemos a lição tantas vezes. Por que continuam mentindo para nós?

Bom, já é tarde e estou com muito sono. É verdade, é hora de velho, chato e careta estar dormindo.

Bons sonhos!
Thailan de Pauli Jaros

26JAN2019

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