domingo, 3 de fevereiro de 2019

Santa Bárbara!


There's a calm before the storm


Já me disseram incontáveis vezes que está tudo errado. Que um dia, num passado remoto, o inverno era inverno e o verão era o verão. Já me disseram também que o clima era bom, que o calor não era do cão, e que o frio não era de rachar. Já me disseram muitas coisas, coisas das quais tentei entender, e por um momento tentei acreditar.

Segundo alguma pesquisa -que li em algum site ou assisti em algum jornal na tevê- o Brasil é o país que mais tem raios no mundo. Por sua vez, o sul é a região que mais tem raios no Brasil. Por sua vez, o Rio Grande do Sul é o estado do Sul que mais tem raios (conseguem entender onde quero chegar?).

Moro no Paraná, medo de raios eu posso dizer que não tenho. Quando era menor tinha pavor de chuvas. Mas a gente vai crescendo e ficando um pouco mais corajoso, né?! (Não).

(*)

Acho estranho aqueles que fingem entender coisas que ninguém entende.  Fazem previsões incríveis que nem o melhor profeta poderia prever. "Diz que vai ter mais três tempestades nessa tarde", "Diz que daqui há 20 anos a violência vai ser tanta que vamos todos morrer na rua", "Diz que...(pode colocar qualquer coisa aqui).

(*)

Mas só escrevo isso porque atrasei um dia o texto por causa de uma chuva forte (tormenta?) que caiu por aqui e a luz acabou. O calor do cão proporciona lindos pernilongos, não? (Nunca).

(*)

"Santa Bárbara!", gritei quando vi aquele raio enorme. Ao leitor que não é muito chegado nos ritos religiosos, a Wikipédia explica que "tornou-se popular a devoção à Santa Bárbara, invocada como protetora por ocasião de tempestades, raios e trovões". Curiosamente a Santa também é padroeira dos mineiros e bombeiros. Que ela e Deus iluminem os herois que trabalharam para tirar sobreviventes do rompimento da barragem em Minas Gerais.

(*)

When it's over, so they say
It'll rain a sunny day
I know
Shinin' down like water

Abraços
Thailan de Pauli Jaros
3FEV2019

sábado, 26 de janeiro de 2019

Velho, chato e careta


Meus problemas, nos últimos dias, resumem-se em limpar a piscina verde. Além de filtrar a água e varrer o fundo também coloco várias doses de "ph" e cloro para fazer com que algas microscópicas desapareçam. Tento em vão, é claro. As algas se proliferam rapidamente fazendo com que este cronista que vos escreve tenha mais um dia de trabalho.

Mas o leitor deve estar indignado com o meu problema. Meu problema é ínfimo. Meu problema é pequeno. Sim, eu sei.

Mas eu só percebi que meu problema era um grão de areia em uma imensa praia quando liguei a televisão e vi o que estava acontecendo em Minas Gerais.

Sim, aconteceu. Sim, mais uma vez. Mas que culpa eu tenho? Qual a nossa culpa? Mais uma barragem, mais uma tragédia, mais um assunto para comentar, mais um tema para brigar.

O leitor deve estar estressado com minha maluquice depois de um dia longo e triste. Mas eu trouxe um devaneio sobre a água da piscina na tentativa de comparar com o barro das minas. Tentativa frustrada.

Meu sentimento é de frustração. Em alguns momentos do ano - da vida- fico assim, meio frustrado, sem esperança. Ninguém mandou ser um velho, chato e careta.

(*)

Ando meio sem paciência para brigas rasas nos meios digitais. Tenho zero paciência para brigas rasas nos meios físicos. Sorria e acene, disse o pinguim.

Sempre que alguma tragédia se torna capa dos jornais a sensação de impotência volta. Não sei se o leitor concorda, mas discutir a privatização ou não da mineradora é meio inútil quando estamos no olho do furacão, não é?

Aceitei que não posso mudar o mundo quando não consegui limpar a piscina. Ou dobrar minhas roupas perfeitamentes. Ou... Mudar o mundo...

É que não suporto doutores da verdade e guardiões dos fatos tentando nos dizer o que deve ser feito. Tudo bem, o Brasil é um país que não aprende com os erros. Mas já aprendemos a lição tantas vezes. Por que continuam mentindo para nós?

Bom, já é tarde e estou com muito sono. É verdade, é hora de velho, chato e careta estar dormindo.

Bons sonhos!
Thailan de Pauli Jaros

26JAN2019

sábado, 19 de janeiro de 2019

Me vi escrevendo


  












(*)

Me vi escrevendo uma milonga, mas não sabia o que a milonga teria para me dizer. Me vi escrevendo mas não consegui escrever. Me vi escrevendo e nem sabia o que seria uma milonga. "Ouvi comentários que a milonga estava morta" disse o mestre Luiz Carlos Borges. Tanta coisa já passou, tantas têm que passar e a milonga lá, batendo na nossa porta quase todos os dias, quase todos os anos. Se algo acabou, não foi a milonga.

Me vi escrevendo uma crônica, mas não compreendia o que a crônica estava tentando me dizer. Já não faz diferença a relação entre o objeto e o observador, tudo já foi feito, mas há tanto para fazer...

Me vi inundado de pensamentos, mas não sabia se esses pensamentos  faziam sentido. Deviam fazer. No momento em que todos sabem de tudo, todos falam sobre tudo e debates se tornam repetição de velhas fórmulas feitas, eu não sabia o que dizer. Pré-fabricados transformam o mundo em cool, todos sabemos, todos devemos saber.

Um grita daqui, outro grita dali e eu continuo acompanhado da minha solidão silenciosa. Silêncio. Silêncio, por favor.

E minha milonga ficou incompleta, assim como minha crônica que acaba por aqui por não saber o que dizer. Não saber o que dizer às vezes faz sentido num mundo onde todos sabem de tudo. Ou pensam que sabem.

Ninguém sabe de nada
é tudo pré fabricado
Ninguém sabe de nada
não tem significado

A crônica é a mais bela
Mas não faz mais diferença
Uma canção à capela
e o mundo só ouve aparência (sofrência)

O mundo não acabou
Mas não encontro a milonga
Procuro o que sobrou
Não faz sentido essa conta

Abraços fraternos!
Thailan de Pauli Jaros
19JAN2019